Visita para Avaliar Atendimento Especializado
A Comissão dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realiza nesta quinta-feira (6/8/26), a partir das 9 horas, uma visita ao Hospital Júlia Kubitschek (HJK). O objetivo é avaliar as instalações e a qualidade do atendimento prestado a mulheres, crianças e adolescentes vítimas de violência, além das parturientes atendidas na unidade. Localizado na Rua Dr. Cristiano Rezende, 2745, no Bairro Milionários, região do Barreiro, em Belo Horizonte, o HJK integra a rede da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig).
Atendimento e Estrutura do Hospital
O requerimento para a visita foi proposto pelas deputadas Ana Paula Siqueira (PT) e Lohanna (PV), presidenta e vice da comissão, respectivamente. Conforme informações do portal da Fhemig, o Hospital Júlia Kubitschek oferece desde a década de 2000 atendimento especializado a mulheres, crianças e adolescentes vítimas de violência, por meio de um núcleo dedicado. Após situações de violência sexual, as vítimas são orientadas a se dirigir ao pronto atendimento da maternidade, onde recebem acolhimento imediato, sem a necessidade de boletim de ocorrência ou encaminhamento prévio.
O acolhimento inclui consulta médica detalhada, com escuta atenta e exame físico, além da explicação de todas as etapas do processo. Quando necessário, são administrados medicamentos para profilaxia de doenças sexualmente transmissíveis (DST), contracepção de emergência e realizados exames para investigação de sífilis, HIV e hepatites. O hospital mantém convênio com a Polícia Civil de Minas Gerais para coleta de vestígios que podem ser enviados ao Instituto Médico Legal de Belo Horizonte (IML), assegurando que a vítima não precise passar por novos exames ou reviver o trauma durante investigações.
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Denúncias e Reclamações sobre o Atendimento
Apesar da estrutura voltada ao acolhimento, pacientes e familiares têm registrado reclamações sobre o atendimento no HJK, apresentadas em audiências na ALMG e no Ministério Público. As denúncias apontam precariedades na infraestrutura, falta de médicos obstetras, anestesistas e outros profissionais essenciais, além de relatos de violência obstétrica e psicológica contra as parturientes.
O Ministério Público destacou problemas no CTI Neonatal, como falhas no ar-condicionado da ala destinada a bebês prematuros e graves. Na Assembleia Legislativa, foram mencionadas condições precárias de higiene, incluindo falta de água nos banheiros, infiltrações, mofo, lençóis sujos e presença de pragas. Também foram relatadas faltas de insumos básicos nas enfermarias e contaminação biológica nas refeições oferecidas às puérperas.
Além disso, técnicos de enfermagem teriam que cuidar simultaneamente de até cinco recém-nascidos no CTI, quando o recomendado é o máximo de dois. A escassez de médicos especialistas gera longas filas de espera, agravando a situação. Foram ainda denunciadas práticas médicas que desrespeitam a lei do parto humanizado em Minas Gerais, configurando agressão psicológica e constrangimento às mulheres durante o parto.
Participantes da Visita e Próximos Passos
A visita da Comissão dos Direitos da Mulher conta com a presença de representantes importantes, como Lourdes Aparecida Machado, presidenta do Conselho Estadual de Saúde, Neuza Freitas, diretora executiva do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais, Relina Conradt Lemes, do Conselho Local de Saúde do HJK, e Michele Xavier Martins, usuária do hospital, entre outros convidados. O encontro busca identificar as principais demandas e propor melhorias para garantir um atendimento mais seguro e humanizado no Hospital Júlia Kubitschek.
