Histórias que constroem Contagem
Contagem guarda relatos que vão além dos registros oficiais. Eles residem nas memórias de quem cresceu entre seus bairros, palcos, ruas e terreiros, nos espaços onde pulsa a cultura local. É desse universo que o jornalista e documentarista Felipe Pedrosa, 38 anos, se dedica a registrar há mais de uma década. O resultado desse empenho está no livro “Contagem: Da Abóbora à Indústria Cultural”, fruto do projeto Trem Pra Fazer, que traz à tona uma narrativa construída a partir das vozes daqueles que fazem a cidade acontecer.
Uma história contada pelo povo
A obra traça um panorama da evolução de Contagem, do período colonial à industrialização, mas tem como centro as pessoas que formam sua identidade cultural. Juventude periférica, teatro, carnaval, cinema, ancestralidade e produção artística ganham vida por meio dos depoimentos de quem vive e sente esses territórios. “O livro nasce da escuta. De sentar e ouvir quem constrói Contagem todos os dias, mas pouco aparece nos registros oficiais”, explica Pedrosa.
Artistas, produtores culturais, estudantes, trabalhadores e moradores são os protagonistas de uma memória que muitas vezes fica à margem dos registros tradicionais. Essa vivência cotidiana alimenta também um acervo que Pedrosa vem criando, composto por documentários como “Bênção”, “Cacos de Lembranças” e “Rock Student: O Som de Uma Geração”, filmes que já foram selecionados em mais de dez mostras e festivais.
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Fonte: odiariodorio.com.br
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Fonte: noticiasdorecife.com.br
Projeto Trem Pra Fazer: cultura em diferentes formatos
O livro-reportagem nasceu do Trem Pra Fazer, iniciativa criada em 2014 para registrar e dar visibilidade à produção cultural de Contagem. O projeto expandiu seu alcance para formatos como site, redes sociais, podcasts e documentários. Em 2024, a primeira temporada do podcast contou a história do município a partir dos relatos dos moradores.
No ano seguinte, “Trem Pra Fazer Entrevista” deu voz a artistas e mobilizadores culturais negros, abordando temas como arte, identidade, território e militância. Já em 2026, a série “Meu Negócio É Arte” discutiu a profissionalização e a economia criativa por meio de sete episódios com artistas e especialistas.
Agora, uma nova temporada está em produção, focada na saúde da população preta de Contagem. O lançamento está previsto para este ano, reforçando o compromisso do projeto em ampliar o diálogo cultural. Além dos podcasts, os documentários produzidos pelo Trem Pra Fazer continuam a circular em mostras e festivais, mantendo viva a memória e a produção artística da cidade.
