Arte Urbana e Patrimônio Vivo no Edifício JK
O CURA – Festival de Arte Urbana não se limita mais à Praça Raul Soares. Em sua última edição, o evento expande seus limites e leva a arte para dentro do Edifício JK, um ícone da arquitetura moderna em Horizonte (MG). De 19 a 30 de agosto, a artista local Rafaela Ianni executa uma pintura no muro do caracol do parquinho infantil do conjunto, enquanto, entre 27 e 30 de agosto, o público pode participar de visitas guiadas pelo edifício, em parceria com o projeto Viva JK.
Essas visitas ao JK proporcionam uma experiência singular: subir a um dos pontos mais altos do centro da cidade e observar as obras do CURA espalhadas pela paisagem urbana de Belo Horizonte sob uma nova perspectiva. Essa ação amplia o diálogo entre o patrimônio arquitetônico e a arte contemporânea, consolidando o Edifício JK como parte oficial do circuito do festival.
O Edifício JK: Modernismo e História em Horizonte (MG)
Projetado por Oscar Niemeyer nos anos 1950, a pedido do governador Juscelino Kubitschek, o conjunto é formado por dois blocos de 23 e 36 andares, somando mais de mil apartamentos. Reconhecido como patrimônio cultural em 2022, o JK é referência do modernismo brasileiro e figura frequentemente em publicações nacionais e internacionais sobre arquitetura.
A aproximação do CURA com o edifício reforça seu status de patrimônio vivo, tornando-o acessível a novos públicos e ampliando sua presença cultural na cidade. A intervenção artística de Rafaela Ianni no muro do caracol do parquinho dialoga diretamente com o espaço, respeitando o projeto arquitetônico e trazendo uma composição de cores intensas e formas geométricas que lembram cortes e planos arquitetônicos.
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Intervenção Artística e Processo Aberto ao Público
Rafaela Ianni trabalha no limite entre pintura, colagem e assemblagem, usando acrílica e papel de seda para construir sua obra. O local onde ela atua permanece aberto durante o processo, permitindo que o público acompanhe a criação da pintura, que se integra ao piso colorido do espaço infantil.
“Fiquei honrada com o convite, especialmente por se tratar do Edifício JK. Ao compor o trabalho, pensei em respeitar o espaço e o projeto do prédio, a partir da pesquisa que venho desenvolvendo”, diz a artista.
Integração e Visitação: Novos Olhares para o Edifício JK
Priscila Amoni, cofundadora e diretora do Instituto CURA, destaca que essa intervenção simboliza anos de aproximação entre o festival e o conjunto modernista. “Esta pintura celebra uma conquista construída ao longo de muitos anos: a integração do edifício ao território do CURA”, afirma. Para ela, abrir as portas de uma construção assinada por Niemeyer representa um marco para a cidade e para a produção artística contemporânea.
As visitas guiadas percorrem os espaços internos e externos do edifício, incluindo áreas de convivência e vãos livres, terminando no topo do JK. De lá, o público observa as obras do festival distribuídas pela cidade, reforçando a conexão entre arte urbana e arquitetura.
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Parceria Viva JK e Futuro da Visitação
Essa iniciativa formaliza uma prática já existente: o Edifício JK era usado como mirante informal para as obras do CURA. Agora, integra oficialmente o circuito, ampliando a experiência do festival. O projeto Viva JK e o CURA discutem a continuidade dessa programação, com planos para um programa permanente de visitação e educação patrimonial.
A proposta ainda contempla a reativação de áreas subutilizadas, como as galerias do terraço, aproximando a arquitetura do edifício das ideias que orientam a edição atual do CURA, intitulada Descansar Enquanto, que valoriza espaços de pausa e convivência dentro do conjunto.
Informações sobre as Visitas Guiadas
As visitas ao Edifício JK acontecem nos dias 27, 28, 29 e 30 de agosto, sempre às 16h30, com senhas distribuídas por ordem de chegada 30 minutos antes do início. A entrada é gratuita e a classificação é livre, garantindo acesso amplo ao público interessado em conhecer de perto essa interação entre arte urbana e patrimônio em Horizonte (MG).
