Denúncia de Tortura e Maus-Tratos
Um detento, identificado como Aldeir Souza Jardim, conhecido como “Bila”, é suspeito de esquartejar um colega de cela na Penitenciária Dr. Manoel Martins Lisboa Júnior, localizada em Muriaé, na Zona da Mata mineira. Após ser transferido para o Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ele fez sérias acusações de tortura e maus-tratos. Em um vídeo gravado dentro do sistema prisional, Aldeir denunciou agressões físicas e psicológicas, afirmando que essas violências são perpetradas por agentes penitenciários. “Faço essa gravação para denunciar o diretor-geral, Rodrigo Silveira Pimentel, e os policiais penais”, disse ele, ressaltando a gravidade de sua situação.
Aldeir não poupou detalhes em suas acusações, citando espancamentos, tortura, abuso de poder e discriminação como práticas comuns na unidade. Além disso, solicitou ajuda a várias autoridades, incluindo a Corregedoria-Geral do Estado de Minas Gerais e a Comissão de direitos humanos. “Peço socorro ao juiz de execução, Wagner de Oliveira Cavalieri, da Comarca de Contagem”, acrescentou, pedindo medidas urgentes em relação à sua segurança.
Ele expressou preocupação com sua saúde, relatando condições graves como osteomielite, um tumor na cabeça e crises epilépticas. Aldeir alegou que, desde sua transferência em 11 de abril, não está recebendo a medicação necessária. “Sou portador de osteomielite crônica no fêmur direito e na bacia. Também tenho 13 pedras no rim esquerdo e oito no direito”, explicou, enfatizando a urgência de sua situação médica.
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Investigação do Crime Brutal
A denúncia de Aldeir surge em meio à investigação sobre a morte de Deyon Moura Santos, de 28 anos, encontrado esquartejado em 2 de abril. De acordo com o boletim de ocorrência, partes do corpo de Deyon foram encontradas espalhadas pela galeria do Pavilhão IV, nas proximidades da cela 09. Os policiais penais encontraram sinais de extrema violência, com o corpo desmembrado e a cabeça posicionada ao lado do tronco. Além disso, um dos olhos da vítima havia sido retirado e a língua localizada dentro de uma marmita.
Aldeir foi encontrado na porta da cela rindo e teria confessado o homicídio, que ocorreu na noite anterior. A perícia revelou que o crime foi cometido com uma faca artesanal, uma lâmina de barbear e tiras de lençol. Durante seu depoimento, Aldeir mencionou ter aplicado um golpe conhecido como “chave de pescoço” até deixar Deyon desacordado, e posteriormente, realizado o esquartejamento.
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A direção da unidade prisional informou que procedimentos administrativos foram instaurados para investigar o caso. A relação entre Aldeir e Deyon, segundo o boletim de ocorrência, remonta ao isolamento dos dois na mesma cela desde 14 de janeiro de 2026, devido a um crime anterior.
Motivação do Crime
Aldeir alega que a motivação do crime está ligada a episódios de homofobia que ele teria enfrentado dentro da unidade prisional. Ele também mencionou ameaças por parte de outros detentos associados ao Comando Vermelho (CV). O relato sugere que a agressão que levou ao homicídio pode ter sido impulsionada por desconfianças relacionadas a uma possível denúncia que Deyon teria feito ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) sobre a participação de Aldeir em outro crime.
Após o homicídio, Aldeir foi transferido para uma cela de isolamento e apresentado à polícia. O corpo de Deyon foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Muriaé, onde passou por exames para elucidar as circunstâncias da morte brutal.
A reportagem da Itatiaia buscou contato com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), mas até o fechamento deste artigo não recebeu resposta. O espaço permanece aberto para manifestação da secretaria.
