Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres
Em Minas Gerais, o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) e os Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) desempenham um papel crucial na proteção da fauna local. Todos os anos, essas instituições garantem o recebimento, o cuidado e a devolução de cerca de 5 mil animais ao seu habitat natural. Essas unidades recebem animais que são fruto de ações de fiscalização, resgates e entregas voluntárias realizadas pela população.
Ao chegarem, os animais passam por um rigoroso processo que inclui identificação, avaliação clínica e biológica, e tratamento. Sempre que possível, esses animais são reintroduzidos na natureza. Atualmente, Minas Gerais conta com cinco unidades ativas, que recebem aproximadamente 8 mil animais anualmente, evidenciando a importância desse trabalho para a biodiversidade.
Mais do que atender cada animal individualmente, as ações dessas unidades se configuram como uma política pública contínua, com efeitos diretos na conservação da biodiversidade, no combate ao tráfico de fauna e na recuperação de espécies ameaçadas de extinção.
Fluxo de Triagem e Tratamento
O fluxo de atendimento nas unidades começa com a chegada dos animais, que ocorrem principalmente por meio de operações de fiscalização, resgates em áreas urbanas ou situações de risco, além de entregas voluntárias por parte da população. Após essa triagem inicial, os profissionais definem se o animal pode ser solto imediatamente ou se necessita de tratamento adicional.
“As principais funções de um Cetras são o recebimento, a triagem, o tratamento e a reabilitação de animais silvestres para retorno à natureza. O objetivo final é sempre a soltura”, afirma Sotero Greco, coordenador da unidade de Divinópolis.
As equipes são compostas por veterinários, biólogos e tratadores, que garantem um atendimento qualificado e adequado às crescentes ocorrências de animais silvestres no estado.
Expansão da Rede de Cetras
Atualmente, Minas Gerais conta com cinco unidades operacionais. Os Cetras de Divinópolis e Patos de Minas estão sob a gestão exclusiva do Governo do Estado, por meio do Instituto Estadual de Florestas (IEF). Já os Cetas de Belo Horizonte, Juiz de Fora e Montes Claros têm a administração compartilhada com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o que amplia a capacidade de atuação em toda a região.
A rede de atendimento está em expansão, com a construção de sete novas unidades programadas para diferentes regiões do estado. Duas dessas unidades, localizadas em Gouveia e Januária, estão em fase final de construção, com inauguração prevista até julho de 2026. Além disso, há projetos em andamento para a criação de unidades em Paracatu, Uberlândia, Governador Valadares, Lavras e Montes Claros.
Papel Educativo e Conscientização
Além do atendimento técnico, os centros também têm um papel fundamental na educação ambiental. Eles promovem atividades com escolas e comunidades, incentivando a conscientização sobre a importância da conservação da fauna e os riscos associados à captura e manutenção irregular de animais silvestres.
No Norte de Minas, o Cetas de Montes Claros se destaca como referência regional, atendendo uma área extensa e de grande diversidade biológica. “A importância de um Cetas é devolver o animal à natureza para que ele cumpra seu papel ecológico. Se você possui um animal silvestre em casa, faça a entrega voluntária”, orienta Cilene Barbosa, coordenadora da unidade.
As unidades reforçam que, em casos de resgate ou posse irregular de animais silvestres, a recomendação é não mantê-los em casa e buscar atendimento especializado, assegurando o cuidado adequado e a destinação correta desses seres tão importantes para o ecossistema.
