Crescimento do E-commerce em Minas Gerais
O e-commerce em Minas Gerais alcançou a marca de R$ 55,4 bilhões em movimentação no ano de 2024, consolidando o estado como o segundo maior do Brasil nesse setor. Os dados foram divulgados por uma pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio-MG), que analisou as transações realizadas no comércio eletrônico nacional, utilizando como base a Nota Fiscal Eletrônica.
Segundo a pesquisa, o comércio eletrônico no Brasil totalizou R$ 225,06 bilhões em 2024, representando um crescimento de 14,6% em relação ao ano anterior, quando a movimentação foi de R$ 196,34 bilhões. Comparando com 2016, o primeiro ano da série histórica, em que foram registrados R$ 34,27 bilhões, a expansão acumulada chega a impressionantes 550%.
Impacto da Pandemia no Setor
O ano de 2020 se destacou como o período de crescimento mais acentuado, com um aumento de 87,7% nas vendas online em comparação ao ano anterior, impulsionado pela pandemia da covid-19 que transformou drasticamente o comportamento do consumidor.
Na análise por estados, São Paulo se posiciona como líder absoluto no e-commerce de 2024, movimentando R$ 191,95 bilhões. Desses, R$ 118,7 bilhões (52,7%) corresponderam a vendas, enquanto R$ 73,25 bilhões (32,5%) foram compras. Minas Gerais, em segundo lugar, teve R$ 55,4 bilhões, com R$ 28,7 bilhões (12,8%) em vendas para outros estados e R$ 26,7 bilhões (11,9%) em compras, resultando em um saldo positivo de R$ 1,94 bilhão.
Minas como Centro Logístico e de Vendas
A economista Fernanda Gonçalves, da Fecomércio-MG, ressalta que esses números evidenciam a capacidade de Minas Gerais em atuar como um fornecedor significativo no mercado digital. “O estado deixa de ser apenas um mercado consumidor e assume uma posição estratégica na distribuição de produtos em todo o país”, afirma.
Em 2024, Minas e São Paulo juntas representaram 65,5% das vendas do e-commerce brasileiro. Outros estados que se destacaram foram o Espírito Santo, com R$ 14,29 bilhões (6,3%), Santa Catarina, com R$ 14,26 bilhões (6,3%), e o Paraná, com R$ 12,14 bilhões (5,4%).
Desafios e Oportunidades no E-commerce
A pesquisa também analisou o saldo entre vendas e compras dos estados, onde São Paulo novamente se destacou com um saldo positivo de R$ 45,45 bilhões, evidenciando sua posição como o principal hub de comércio eletrônico do país. Além de São Paulo, apenas Espírito Santo, Santa Catarina, Minas Gerais e Paraíba apresentaram saldos positivos.
Fernanda Gonçalves acredita que a posição de Minas Gerais reflete um equilíbrio entre oferta e demanda. Segundo ela, “esse equilíbrio fortalece a competitividade do estado e amplia sua relevância nas cadeias digitais”. O estudo da Fecomércio-MG aponta que a logística é um fator crucial para esse crescimento, com a localização central do estado e sua integração rodoviária favorecendo a instalação de centros de distribuição e a redução de prazos de entrega.
Belo Horizonte se destaca como um ponto estratégico, conectado a importantes corredores logísticos como a BR-040, que liga o estado a mercados vitais como Rio de Janeiro e Brasília. A dinâmica do interior, incluindo o Sul de Minas, que se conecta a São Paulo, forma um corredor logístico eficiente.
Avanços e Desafios no Comércio Eletrônico
A análise também revela que 76,6% das empresas de Minas têm presença digital, enquanto 59,5% realizam vendas online, indicando uma adaptação ao novo padrão de consumo. Contudo, a pesquisa destaca desafios como falta de planejamento, altos custos logísticos e concorrência com plataformas consolidadas. “Um crescimento sustentável exige uma gestão mais estruturada, com foco na eficiência operacional e alinhamento estratégico com o público”, conclui Gonçalves.
Com a superação da fase inicial no comércio eletrônico, Minas Gerais agora busca consolidar sua presença no mercado digital, contando com uma infraestrutura robusta e uma base empresarial capaz de expandir ainda mais.
