Programação diversificada valoriza cultura da pessoa com deficiência
Entre os dias 4 e 27 de setembro, Belo Horizonte (MG) sedia a sexta edição do Festival Acessa BH, um dos eventos mais significativos dedicados à cultura DEF (Cultura da Pessoa com Deficiência) no Brasil. A iniciativa traz para a capital mineira cerca de 30 atividades que incluem espetáculos, performances, sessões de cinema comentadas, oficinas, rodas de conversa e lançamentos de livros, reunindo artistas de seis estados brasileiros e uma atração internacional do Reino Unido.
Espaços culturais e curadoria que ampliam o olhar sobre a deficiência
A programação acontece em seis importantes espaços culturais da cidade: Funarte MG, Centro Cultural Unimed-BH Minas, Cine Theatro Brasil, Praça da Liberdade, Teatro Raul Belém Machado e Palácio das Artes. Sob a curadoria de Daniel Vitral e Lais Vitral, o festival propõe um recorte da produção contemporânea da cultura DEF no Brasil e no exterior, explorando a deficiência como uma experiência estética, política e artística por meio de linguagens como dança, teatro, performance, cinema e literatura.
A abertura ocorre na Funarte MG, dia 4 de setembro, com o espetáculo “SER(tão)”, da companhia potiguar Movidos Dança, dirigido por Mário Nascimento. No dia seguinte, o grupo apresenta “Nuvem de Pássaros”, proporcionando uma rara oportunidade de acompanhar duas montagens da mesma companhia durante o festival.
Destaques da programação e parcerias internacionais
Na primeira semana, chama atenção a estreia nacional da companhia britânica ZU-UK, que apresenta “Encontro Romântico Binaural”, uma performance imersiva que aborda temas como relacionamento, afeto e autoconhecimento. Essa apresentação resulta da parceria entre o Acessa BH, o DaDaFest e a companhia, iniciada em 2025.
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A segunda semana concentra encontros entre artistas da cena brasileira, destacando a comédia “Baixa Sociedade”, dirigida por Pedro Neschling e estrelada por Luiz Fernando Guimarães. A peça integra as comemorações dos 50 anos de carreira do ator. Outra produção marcante é “SURDA”, dramaturgia autobiográfica de Julia Spadaccini, com a atriz Benedita Casé Zerbini, que retrata o processo de perda auditiva.
Cinema e literatura ampliam os olhares sobre a deficiência
O festival também dedica espaço ao cinema com duas sessões comentadas: a pré-estreia nacional do documentário “Uma em Mil”, dos irmãos Jonatas e Tiago Rubert, premiado no Festival do Rio, e o longa espanhol “Surda”, vencedor de três prêmios Goya, incluindo atriz revelação para Miriam Garlo.
Segundo a curadora Lais Vitral, a edição destaca a presença de artistas surdos e com deficiência auditiva em diversas funções, como interpretação, direção, dramaturgia e literatura. Exemplos são Lyvia Cruz, na obra “A Cangaceira Surda Mara”, e Miriam Garlo. Também participam artistas que se definem como “surdos que ouvem”, como Benedita Casé Zerbini e Pedro Neschling. O lançamento do livro “O Boi que Aprendeu Libras”, de Ademar Alves Jr., integra a programação literária.
Atividades formativas e programação para crianças
Nas semanas seguintes, o festival amplia sua agenda com oficinas, rodas de conversa e atividades formativas. Destaca-se uma jornada especial em parceria com o Memorial Minas Gerais Vale no dia 20 de setembro e o início de uma colaboração com o Hub Cultural Porto Dragão, do Ceará, no dia 22.
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Voltada para o público infantil, a programação inclui espetáculos como “Circo de Los Pies” e “O Número Sanfônico”, da La Luna Cia. de Teatro, “A Cangaceira Surda Mara”, de Lyvia Cruz, e “Puft e as Almofadas Coloridas”, voltado para crianças com Transtorno do Espectro Autista. O festival encerra suas atividades no dia 27 com o espetáculo “Da Janela”, dirigido por Marco dos Anjos.
Acessibilidade e acesso gratuito
Todos os espetáculos contam com interpretação em Libras e audiodescrição, enquanto as sessões de cinema oferecem legendas descritivas. A maior parte das atividades é gratuita, garantindo amplo acesso ao público interessado. A programação detalhada está disponível no site oficial do festival.
O Festival Acessa BH é realizado pela Vitral Bureau Cultural, com apresentação da Cemig. Conta ainda com patrocínio master do Instituto Cultural Vale e apoio do Instituto Unimed-BH e da MGS, além de parcerias com o British Council, a Dada, a ZU-UK e o Instituto Dragão do Mar.
Serviço
Festival Acessa BH 2026
Período: 4 a 27 de setembro de 2026
Abertura: 4 de setembro, às 20h, na Funarte MG, com o espetáculo “SER(tão)”, da companhia Movidos Dança (RN)
