Primeiros passos e ligação familiar com a arte
Epaminondas Xavier Gracindo, conhecido como Gracindo Jr., faleceu em casa no Rio de Janeiro na noite da última terça-feira (1º), aos 83 anos. O filho do renomado ator Paulo Gracindo dedicou mais de meio século à arte, transitando entre teatro, rádio, televisão e cinema. A confirmação da morte veio do seu filho, Pedro Gracindo, embora a causa não tenha sido divulgada.
Desde cedo, Gracindo Jr. esteve imerso no universo artístico. Aos 15 anos, em 1959, enfrentou seu primeiro desafio profissional ao realizar um teste para a Rádio Nacional, onde seu pai já brilhava. Além de atuar, também exerceu funções como redator e disc-jóquei na emissora. Paralelamente, iniciou a carreira teatral em 1961, participando da montagem da peça A Escada, de Oswald de Andrade, ao lado de nomes como Rubens Corrêa e Ivan Albuquerque.
Participação na inauguração da TV Globo e carreira televisiva
Gracindo Jr. foi integrante do elenco que marcou o lançamento da TV Globo em 1965. Antes mesmo da estreia oficial da emissora, já estava contratado, participando de uma das primeiras novelas da casa, Rosinha do Sobrado. Sua trajetória na televisão seguiu com trabalhos em títulos importantes como Padre Tião (1966), A Rainha Louca (1967), A Próxima Atração (1970) e Supermanoela (1974).
Em Os Ossos do Barão (1973), dividiu cenas com o pai, uma parceria que se repetiu em O Bem-Amado, novela de Dias Gomes. Essa relação profissional foi uma marca na carreira dos dois, especialmente em O Casarão (1976), onde Gracindo Jr. interpretou o jovem João Maciel, personagem que Paulo Gracindo viveu em uma fase mais avançada da história.
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Atuação durante o período da ditadura e envolvimento político
Durante os anos da ditadura militar, Gracindo Jr., militante do Partido Comunista, sofreu as consequências políticas da época. Em 1964, foi cassado junto a outros nomes da cultura, como Dias Gomes e Mário Lago, o que o impediu de trabalhar no rádio. Antes disso, já havia passado por emissoras como TV Rio, TV Excelsior e TV Tupi, consolidando sua experiência no meio audiovisual.
Direção e inovação na televisão
Além da atuação, Gracindo Jr. também se destacou como diretor. Após temporada em Portugal, onde dirigiu a peça É, de Millôr Fernandes, voltou ao Brasil para supervisionar o núcleo de novelas das 18h da Globo em 1978. No ano seguinte, comandou as novelas Memórias de Amor e Marron-Glacé, além de atuar na direção de programas de variedades e humor.
Em 1983, assumiu a direção da famosa série Os Trapalhões e participou da produção dos primeiros videoclipes musicais exibidos pelo Fantástico, marcando sua versatilidade e capacidade de inovar no cenário audiovisual.
Novos rumos na TV Manchete e retorno à Globo
Em 1984, Gracindo Jr. migrou para a TV Manchete, onde interpretou Dom Pedro I na novela A Marquesa de Santos, formando par romântico com Maitê Proença. A parceria se repetiu em Dona Beija (1986), produção que conquistou grande repercussão.
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De volta à Globo, participou de produções como Tenda dos Milagres, Mandala, O Salvador da Pátria, Rainha da Sucata, Gente Fina, Deus nos Acuda, Explode Coração, Anjo de Mim e Esplendor. Em Explode Coração, atuou e também dirigiu cenas do núcleo dos ciganos.
Participações no cinema e legado cultural
Gracindo Jr. deixou sua marca também no cinema, com trabalhos em filmes como Os Homens que eu Tive (1973), Os Trapalhões na Serra Pelada (1982), O Trapalhão na Arca de Noé (1983), Floresta das Esmeraldas (1985), Desterro (1991), A Hora Marcada (2000), Bufo e Spallanzani (2001), A Selva (2004), Primo Basílio (2006) e Segurança Nacional (2010).
Em 2003, voltou à televisão em Celebridade, de Gilberto Braga, interpretando Ubaldo Quintela, personagem que havia passado 15 anos preso na trama.
Gracindo Jr. construiu uma carreira sólida, marcada pela diversidade de papéis e pela dedicação à cultura brasileira, refletindo a história da televisão e do teatro em várias fases do país.
