Tributo ao Tim Maia com alma mineira
Em meio ao vasto universo sonoro que nos cerca, surge “Dance Enquanto é Tempo”, projeto do Jota Quest que reverbera o balanço do funk-soul brasileiro. Disponível em plataformas digitais e prestes a ganhar edição em vinil duplo, o álbum celebra os 30 anos da banda mineira e sua admiração pelo legado do inesquecível Tim Maia, figura emblemática da música brasileira e referência para gerações que gostam de se mexer ao som da pista.
Com voz rouca e carregada de emoção, o vocalista Rogério Flausino conduz essa homenagem com a mesma intensidade de uma confissão romântica, como se o céu anunciasse uma chuva que lava as mágoas e renova as esperanças. “Dance Enquanto é Tempo” inicia com uma faixa inédita, “Seroma”, onde ressoa a própria voz de Tim Maia em relatos pessoais sobre sua origem, espiritualidade e fascínio pela ufologia, trazendo um tom íntimo que conecta passado e presente.
A essência de Tim Maia sob o olhar do Jota Quest
Sebastião Rodrigues Maia, nome de batismo do artista, foi pioneiro ao introduzir o funk e soul no Brasil, com uma autenticidade que desafiava convenções. Seu estilo irreverente e bem-humorado, muitas vezes embebido em uísque, refletia uma honestidade crua em suas letras e interpretações. Ele cantava para fora, sem medo do que as pessoas pensassem, e mantinha viva a esperança de um grande amor, enquanto não se acomodava.
O Jota Quest, conhecido pelo apreço e respeito à obra do mestre, constrói em “Dance Enquanto é Tempo” uma celebração que transcende o simples tributo. Cada faixa foi pensada para capturar a simplicidade sofisticada que Tim Maia alcançava, onde uma única nota podia carregar toda a essência de uma canção. “Sossego”, um dos maiores clássicos, ganha nova vida nesta releitura que mistura reverência e criatividade.
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Fonte: parabelem.com.br
Encontros e memórias que marcaram a trajetória
O baixista PJ, integrante da banda, destaca a importância do artista como uma referência incontestável desde 1996, quando o Jota Quest lançou sua versão para “Dance Enquanto é Tempo” e teve a chance de apresentar seu trabalho para o próprio Tim Maia. Apesar do nome “Jey Quest” não ter sido bem recebido, a conexão com o ídolo ficou marcada. A perda precoce de Tim, aos 55 anos, no Rio de Janeiro, foi sentida profundamente pelo grupo, que desde então planeja uma homenagem à altura.
Rogério Flausino recorda o encontro no festival Planeta Atlântida, poucos meses antes da partida de Tim. É dessa memória que nasce a inspiração para o álbum, que inclui 16 faixas entre hits já conhecidos e lados B pouco explorados, como “Acenda o Farol”, “I Don’t Know What To Do With Myself (feat. Mãeana)”, “Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar)” e “Estrela do Meu Show”.
Colaborações que enriquecem o repertório
Uma das faixas que se destacam é “Imunização Racional (Que Beleza)”, que une a percussão de Carlinhos Brown e a energia do grupo Os Garotin, representando uma nova geração que respeita as raízes do soul e do gospel brasileiro. Outra parceria marcante acontece em “Réu Confesso”, samba-soul que ganhou arranjos modernos e contou com a participação do cantor Thiaguinho, amigo da banda.
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Fonte: daquibahia.com.br
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Fonte: curitibainforma.com.br
O álbum também celebra a presença de Tony Tornado, artista que esteve presente no primeiro disco do Jota Quest e retorna para reforçar o elo entre gerações. Com seus 96 anos, ele empresta voz e história para o tributo, reforçando o respeito e a continuidade do legado de Sebastião Rodrigues Maia.
A voz de Tim Maia ecoa no presente
“Dance Enquanto é Tempo” encerra com o funk “Racional Culture”, que mescla o estilo de George Clinton com o tempero brasileiro, trazendo a voz original de Tim Maia em uma composição que parece desafiar os limites do tempo e das gerações. O cuidado com os detalhes e a autenticidade do projeto tiveram o incentivo fundamental de Carmelo Maia, filho do artista, que gerencia o espólio do pai e colaborou nas escolhas das faixas e no empréstimo das vozes originais.
O Jota Quest, formado por Rogério Flausino, PJ, Marco Túlio, Paulinho e Márcio Buzelin, entrega com este álbum não apenas uma homenagem, mas uma ponte cultural que liga o passado e o presente do soul brasileiro. A obra convida o público a revisitar e celebrar um dos maiores nomes da música nacional, reforçando a importância de manter viva a chama da criatividade e da originalidade que Tim Maia legou para todos nós.
