Minas Gerais sob o olhar da The Economist
A revista britânica The Economist classificou Minas Gerais como um estado em “ruínas” no que diz respeito à sua situação financeira. Segundo a publicação, a próxima gestão estadual terá o desafio urgente de realizar cortes drásticos nos gastos para tentar equilibrar as contas públicas. O texto, divulgado recentemente, apresenta Minas como um reflexo do Brasil, destacando problemas fiscais, de infraestrutura e as complexas perspectivas políticas locais.
Minas Gerais, o segundo estado mais populoso do país, tem papel estratégico nas disputas políticas nacionais desde a redemocratização. A análise da revista aponta que o estado é frequentemente negligenciado, apesar de sua importância geográfica e diversidade étnica, que representam um microcosmo do Brasil. “Minas Gerais não deveria ser ignorada”, enfatiza a reportagem.
Déficits fiscais e infraestrutura precária
Ao examinar as finanças mineiras, a The Economist atribui a crise fiscal ao “efeito cumulativo do não provisionamento de pensões”, que pressiona ainda mais o orçamento. Além disso, os elevados juros limitam a margem para gastos discricionários do governo. A revista também critica o estado das rodovias estaduais, apontando para a necessidade urgente de melhorias na infraestrutura.
Leia também: A Assembleia Legislativa de Minas Gerais Autoriza Venda de Imóveis Estaduais para Redução da Dívida
Leia também: Diagnóstico Estratégico da FJP: Rumo ao Desenvolvimento Socioeconômico em Minas Gerais
Outro ponto destacado é a dependência da economia mineira na exportação de matérias-primas, como minério de ferro, nióbio e grafite. A falta de agregação de valor a esses recursos limita o potencial de desenvolvimento econômico do estado.
Contexto nacional e desafios políticos em Minas
A reportagem relaciona a situação fiscal mineira ao quadro maior do Brasil. Segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), a dívida pública bruta do país pode atingir 107% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2031. A The Economist observa que a preferência dos brasileiros por manter dinheiro em poupança, em vez de investir em setores produtivos como infraestrutura e pesquisa, dificulta o crescimento econômico.
No cenário político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém forte desempenho em Minas Gerais, onde venceu todas as eleições presidenciais em que foi candidato. Porém, o capital político do presidente não se refletiu no fortalecimento do PT estadual. A revista destaca que, após a saída de Lula da política, a direita tende a crescer no estado, enquanto o PT poderá enfrentar dificuldades. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) é citado como figura em ascensão na política mineira.
Leia também: Minas Gerais Gastou R$ 46,6 Milhões Acima do Teto Constitucional em 2025
Leia também: Governador de Minas Gerais Destaca Cooperativismo e Associativismo na Gestão Pública
Resposta do governo mineiro à crise
Em resposta às críticas, o governo de Minas Gerais divulgou nota afirmando que o desequilíbrio fiscal herdado da gestão do ex-governador Fernando Pimentel (PT) é a base dos problemas enfrentados atualmente. Desde 2019, a atual administração promove um processo de reorganização das finanças públicas.
Segundo o executivo estadual, Minas saiu de um “colapso fiscal” para um cenário de “equilíbrio e retomada da capacidade de investimento”. Entre os avanços destacados estão a regularização dos pagamentos a servidores e municípios, a atração de mais de R$ 500 bilhões em investimentos privados e a geração de mais de 1 milhão de empregos formais.
O governo ainda ressaltou a melhora dos indicadores da Lei de Responsabilidade Fiscal e a adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), que oferece condições mais sustentáveis para a gestão do passivo com a União. A gestão atual reforça o compromisso com a responsabilidade fiscal, atração de investimentos, melhoria do ambiente de negócios e manutenção da capacidade de investimento para prestar serviços de qualidade à população.
