Desaceleração na Geração de Empregos em Minas Gerais
O mercado formal de trabalho em Minas Gerais registrou uma desaceleração significativa em setembro, com saldo positivo de apenas 8.102 vagas. Esse número representa uma queda de 32% na comparação com o mesmo mês de 2025, quando foram criadas 11,8 mil vagas. Embora o saldo permaneça positivo, o resultado aponta para uma redução no ritmo de criação de empregos com carteira assinada no estado.
Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Minas Gerais contabilizou 234.460 admissões e 226.358 desligamentos em setembro. A queda no ritmo de contratações foi influenciada principalmente pelo setor de Agropecuária, que registrou fechamento líquido de 8.221 vagas no período.
Setores que Mantêm Saldo Positivo
Apesar da retração na Agropecuária, os demais setores apresentaram saldo positivo na criação de empregos. O segmento de Serviços liderou a abertura de vagas, com 10.848 postos, seguido pelo Comércio, que criou 3.212 vagas, e pela Construção Civil, com 1.680 novas oportunidades. A Indústria também contribuiu positivamente, com saldo de 587 empregos gerados.
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João Gabriel Pio, economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), destaca que os dados de setembro reforçam a sinalização de desaceleração do mercado de trabalho, ainda que a geração de empregos continue positiva. Segundo ele, a indústria mineira segue criando vagas, porém em ritmo menor que no ano anterior, devido ao cenário de juros altos e crédito restrito que limita investimentos e faz empresas adotarem cautela nas contratações.
Impactos dos Juros Elevados e Crédito Restritivo
O economista Guilherme Almeida também relaciona a desaceleração do mercado de trabalho aos juros elevados e à restrição de crédito, fatores que desestimulam investimentos e dificultam a expansão das operações empresariais. Além disso, o consumo sofre impacto, especialmente na compra de bens duráveis e semiduráveis, que dependem mais do crédito.
Almeida observa que setembro registrou o pior desempenho na criação de empregos formais desde 2020, e Minas Gerais segue essa tendência. Ele destaca que a indústria mineira apresenta um saldo baixo de contratações e que o setor de Serviços mantém seu papel central na geração de empregos, contribuindo com cerca de 66% do saldo positivo em setembro. Grande parte dessas vagas foi criada em áreas menos dependentes de crédito, como educação, saúde e administração pública, que juntas respondem por mais de um terço dos postos gerados.
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Características do Setor Agropecuário e Expectativas
O fechamento de vagas na Agropecuária tem caráter sazonal, influenciado pelo calendário de colheitas, especialmente do café. Almeida explica que o período entre maio e setembro concentra a contratação temporária para atividades de safra, cujos contratos são encerrados ao final da colheita. Em 2026, a safra mais longa ampliou tanto as admissões quanto os desligamentos, impactando o saldo de setembro.
Para a Fiemg, a perda de ritmo da economia brasileira deve continuar moderando a criação de empregos, mesmo com o mercado de trabalho mostrando resiliência. Os juros altos e o crédito restrito limitam os investimentos, enquanto o endividamento das famílias freia o consumo. No entanto, a sazonalidade do fim do ano deve estimular contratações nos setores de Comércio, Serviços, Logística e Transporte, com eventos como Black Friday, Natal e o pagamento do 13º salário impulsionando a demanda por mão de obra.
