Rede de Saúde se organiza para enfrentar sobrepeso e obesidade
No Triângulo do Sul, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), por meio da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Uberaba, avançou na organização da rede de atendimento para pessoas com sobrepeso e obesidade. O II Simpósio da Obesidade, realizado no dia 16 de outubro no auditório Turmalina da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), reuniu profissionais da saúde, especialistas e gestores para discutir estratégias que integram a atenção primária e a Atenção Especializada no cuidado a essa população.
O encontro, promovido pelo Centro Municipal de Diabetes, Hipertensão e Obesidade (Cemdhi) em parceria com a SRS Uberaba, teve como foco a implementação da Linha de Cuidado à Pessoa Adulta com Sobrepeso e Obesidade na Macrorregião de Saúde Triângulo do Sul. Essa linha de cuidado busca definir com clareza as responsabilidades de cada serviço da rede pública, garantir o encaminhamento adequado e aprimorar o acompanhamento dos pacientes, fortalecendo o cuidado integral no SUS.
Desafios do excesso de peso em Minas Gerais
A referência técnica da SRS Uberaba, Lidiane Menezes, ressaltou a urgência da resposta diante do crescimento dos números de obesidade e sobrepeso no estado. Segundo ela, o índice de obesidade em Minas Gerais saltou de 18% para 31% entre 2010 e 2023, enquanto o excesso de peso já atinge 66% da população adulta.
Dados de 2025 do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), apresentados no simpósio, indicam que na Macrorregião Triângulo do Sul, 72,7% dos adultos acompanhados apresentam excesso de peso, percentual acima da média estadual, que é de 70,8%. A obesidade atinge 39,7% da população local, comparada a 36,4% em Minas Gerais.
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Com esses números, a Linha de Cuidado estabelece um percurso assistencial que vai desde a promoção da saúde e prevenção até o diagnóstico, estratificação de risco, acompanhamento e tratamento. O caminho inclui encaminhamentos para serviços especializados conforme a gravidade do caso e critérios clínicos, buscando sempre a melhor resposta para o paciente.
A avaliação leva em conta o Índice de Massa Corporal (IMC) e a presença de comorbidades como diabetes e hipertensão para orientar o tratamento. Em situações em que o tratamento clínico não apresenta resultados satisfatórios e há indicação médica, o paciente pode ser avaliado para cirurgia bariátrica, seguindo protocolos e critérios vigentes.
“Cada ponto da rede precisa entender seu papel para que esses números se traduzam em cuidado efetivo”, afirmou Lidiane Menezes, reforçando a importância da organização da rede assistencial.
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Integração entre Atenção Primária e Especializada
A endocrinologista Elisabete Mantovani, responsável pelo Cemdhi e palestrante do simpósio, destacou como a articulação entre os níveis de atenção é essencial para ampliar o acesso e qualificar o acompanhamento dos pacientes com sobrepeso e obesidade. O Cemdhi oferece suporte aos médicos da Atenção Primária por meio de teleconsultorias e discussões de casos clínicos, auxiliando na definição das condutas e encaminhamentos adequados.
Essa integração evita encaminhamentos desnecessários e garante que o paciente receba o cuidado mais adequado às suas necessidades, seja no acompanhamento especializado, na avaliação para cirurgia bariátrica ou na continuidade do tratamento na Atenção Primária.
Com a participação no simpósio, a SES-MG e a SRS Uberaba reforçam o compromisso com a organização da rede regional, apoiando municípios na implementação da linha de cuidado e promovendo uma assistência mais integrada e efetiva às pessoas com sobrepeso e obesidade dentro do SUS.
