Tarifa de 25% dos EUA entra em vigor e preocupa indústria mineira
A cobrança adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre determinados produtos brasileiros começou a valer nesta quarta-feira (22/7), gerando apreensão em vários setores da indústria de Minas Gerais. A decisão segue uma investigação realizada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da legislação comercial americana, que permitiu a aplicação da tarifa. Embora o imposto incida sobre uma lista específica de produtos brasileiros, uma série de exceções preserva parte expressiva das exportações mineiras, minimizando impactos diretos em alguns segmentos.
Setores mineiros mais afetados e os números das exportações
De acordo com levantamento do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (CIN/FIEMG), os 15 principais produtos impactados somaram cerca de US$ 234 milhões em exportações para os EUA em 2025. Entre os maiores valores, destacam-se o sebo de bovinos, ovinos ou caprinos, com quase US$ 34 milhões, e os disjuntores de baixa tensão, que alcançaram aproximadamente US$ 33 milhões. Também aparecem preparações capilares, pedras preciosas trabalhadas e obras contendo minerais como magnesita, dolomita ou cromita, todos com valores relevantes para o comércio exterior de Minas Gerais.
A expressiva participação de Minas Gerais nas exportações brasileiras desses produtos ressalta o impacto local da tarifa. Por exemplo, o estado responde por mais de 99% do valor nacional de obras contendo magnesita, dolomita ou cromita, além de dominar as exportações de tijolos, placas e peças refratárias selecionadas e ardósia trabalhada. No segmento dos disjuntores de baixa tensão, Minas Gerais representa mais de 97% do valor exportado.
Período de transição e lista de exceções para exportadores mineiros
O decreto que entrou em vigor prevê um período de transição para mercadorias já em trânsito. Produtos embarcados antes de 22 de julho estão isentos da tarifa adicional, desde que cheguem ao mercado americano até 29 de julho. Essa medida busca evitar prejuízos imediatos a exportadores que já haviam negociado suas cargas.
Leia também: Congonhas recebe primeiro programa SESI Impacta em Minas Gerais com foco em jovens vulneráveis
Leia também: Canadá se torna terceiro maior mercado para exportações de Minas Gerais com US$ 789 milhões
Além disso, a tarifa não atinge toda a pauta mineira. Produtos estratégicos como café verde, ferro-gusa, ferronióbio, ferrossilício-manganês, ouro, carne bovina, celulose, mel natural e alguns produtos químicos foram listados entre as exceções. O ferro-gusa, que inicialmente preocupava devido ao seu volume, foi preservado. Em 2025, as exportações desse produto somaram pouco mais de US$ 1 bilhão, com Minas Gerais respondendo por quase 73% do total brasileiro.
O café verde, outro destaque, teve exportações mineiras próximas a US$ 1,6 bilhão em 2025, representando cerca de 83% do valor nacional. Já o ferronióbio, com vendas superiores a US$ 200 milhões e participação mineira de quase 94%, também está fora da tarifa. No total, os 15 principais produtos mineiros isentos alcançaram cerca de US$ 3,3 bilhões em exportações naquele ano, um montante significativamente maior que o valor dos itens afetados.
Impactos econômicos e preocupações da FIEMG
Mesmo com as exceções, a Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) alerta que a tarifa de 25% poderá pressionar preços, margens de lucro e contratos das empresas diretamente afetadas. Em mercados competitivos, onde fornecedores de diferentes países disputam espaço, o custo adicional pode reduzir a competitividade dos produtos mineiros, estimular a substituição por outras origens ou levar os compradores americanos a renegociar valores e condições comerciais.
Leia também: Mercado de trabalho aquecido impulsiona crescimento da indústria em Minas Gerais no 1º quadrimestre
Leia também: Política Tributária de Minas Gerais Impulsiona Economia Verde com Incentivos ao ICMS
Nova tarifa adicional de 12,5% amplia incertezas
Além disso, a FIEMG acompanha com atenção um possível anúncio para sexta-feira (24/7), relacionado à investigação do USTR sobre importações feitas com trabalho forçado. O Brasil foi incluído no grupo para o qual se propõe uma tarifa adicional de 12,5%. Se confirmada, essa cobrança se somaria aos 25%, podendo elevar a tarifa total para 37,5% sobre os mesmos produtos.
“A combinação dessas tarifas poderá colocar os produtos brasileiros em desvantagem significativa frente a concorrentes internacionais, influenciando diretamente a escolha dos importadores. A preocupação não está apenas na magnitude da tarifa, mas na diferença de tratamento entre fornecedores que competem pelos mesmos compradores. O momento exige diálogo, regras claras e previsibilidade para preservar contratos e mercados estratégicos”, avalia Verônica Ribeiro Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do CIN/FIEMG.
Demandas da FIEMG para preservar o mercado mineiro
A FIEMG defende a continuidade das negociações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos, ampliando as exceções e estabelecendo regras claras sobre a acumulação das tarifas. A entidade também destaca a necessidade de medidas de apoio às empresas mais vulneráveis e a importância de diversificar os mercados de destino, reduzindo a exposição a riscos comerciais.