Reajuste salarial e doações a APAES
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, participou de entrevista ao Jornal Nacional, da Globo, na última segunda-feira (24), para esclarecer o reajuste de 300% que sancionou em seu próprio salário durante sua gestão. Zema afirmou que todo o valor recebido foi repassado para as APAES (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) do estado, classificando-se como um “governador voluntário”.
“Eu não recebi nenhum aumento porque sempre fui um governador voluntário. Desde o primeiro dia, em janeiro de 2019, tudo aquilo que eu recebi, eu repassei para as APAES. Mais de 70 a 80 APAES em Minas Gerais receberam essa doação minha”, afirmou o ex-governador.
Contexto do funcionalismo e salários públicos
Zema explicou que um dos motivos para o reajuste foi a dificuldade em atrair profissionais para cargos no governo estadual, devido à remuneração inferior até mesmo à de cidades menores. “Eu fui o único que teve coragem, porque o que acontecia em Minas é que um secretário de educação, cuja pasta tem 200 mil funcionários, recebia menos do que o secretário de educação de uma cidade pequena. Ninguém queria ir trabalhar no governo de Minas. É como se um sargento da Polícia Militar recebesse mais do que um coronel. Ninguém quer ser coronel. Eu fui o único que teve coragem”, destacou.
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Questionado sobre se outros membros do governo também adotaram a mesma prática de repasse do salário, Zema negou e evitou detalhar. Ele reforçou que os salários pagos aos secretários estaduais ficaram dentro da média nacional, sem ultrapassá-la. “Eu assumi esse compromisso e o levei adiante. Agora eu estava dizendo se nós não tivéssemos um salário que é a média do Brasil. Lembrando que ninguém ficou acima da média do Brasil. Se pegar hoje o salário de um secretário de Minas de Educação de Cultura etc., é o mesmo e pegar estados vizinhos como São Paulo, Rio, Espírito Santo, Paraná, Goiás. Eles ganham praticamente igual a mesma coisa”, explicou.
Trajetória política e carreira
Antes de ingressar na política, Romeu Zema atuou no setor privado, especialmente no varejo de eletrodomésticos e concessionárias de veículos. Ele dirigiu a operação da rede entre 1991 e 2016, antes de disputar seu primeiro cargo público.
Em janeiro de 2018, filiou-se ao Partido Novo e, no mesmo ano, candidatou-se ao governo de Minas Gerais. Apesar de iniciar com baixa intenção de votos nas pesquisas, terminou o primeiro turno liderando com 42,73% dos votos. No segundo turno, venceu o concorrente Anastasia com mais de 70% dos votos válidos.
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Na eleição de 2022, Zema foi reeleito já no primeiro turno, com 56,18% dos votos válidos.
