Articulação e Desafios no Cenário Político
O deputado Nikolas Ferreira tem se movimentado intensamente para estabelecer uma bancada própria no Legislativo, com foco em fortalecer sua influência no bolsonarismo. Recentemente, ele articulou o lançamento de seu pai, o pastor Edésio de Oliveira, da Comunidade Evangélica Graça e Paz, como candidato ao Senado pelo PL em Minas Gerais. Entretanto, as negociações internas no partido têm sugerido que o deputado federal Domingos Sávio, atual presidente do diretório estadual, e o senador Carlos Viana (Podemos-MG) estão sendo considerados como possíveis candidatos.
Em uma agenda recente em Juiz de Fora (MG), que enfrentou fortes chuvas e tragédias com dezenas de mortos, Nikolas esteve ao lado da vereadora Roberta Lopes (PL). Ela se apresenta como “a candidata de Nikolas e Bolsonaro em Juiz de Fora”. Durante o evento, o vice-governador Mateus Simões (PSD), apoiado por Nikolas para a sucessão de Romeu Zema (Novo), anunciou um investimento de R$ 14 milhões para revitalizar um distrito industrial, com foco em melhorias de infraestrutura, como iluminação e asfaltamento.
Candidaturas em Outros Estados
Os planos de Nikolas vão além das fronteiras mineiras. O deputado pretende fortalecer sua bancada na Câmara dos Deputados com aliados em outros estados. Em São Paulo, o vereador Lucas Pavanato (PL) é um dos candidatos escolhidos. No Ceará, Carmelo Neto (PL) e em Pernambuco, Thiago Medina (PL) também estão na lista de candidatos. Em Santa Catarina, a deputada estadual Ana Campagnolo (PL) busca a reeleição, e ambos têm colaborado em projetos, como a publicação de livros infantis que discutem identidade de gênero sob uma ótica cristã.
Essa movimentação acontece após Nikolas ter rejeitado a ideia de ser o candidato ao governo, indicado por Flávio Bolsonaro, que tenta consolidar bases regionais robustas. A tensão interna foi evidenciada quando o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) criticou publicamente Nikolas e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro por suposta falta de memória política. Em resposta, Nikolas defendeu que Eduardo “não está bem” e optou por não se envolver em disputas internas. Apesar disso, recentemente foi visto ao lado de Flávio durante uma reunião da bancada do partido em Brasília.
Prioridades e Estratégias Futuras
A possibilidade de Nikolas se candidatar ao governo de Minas foi prontamente descartada por ele, que afirmou preferir concentrar esforços na reeleição para a Câmara, como forma de “construir base” e “estabelecer relacionamentos”. Ele também se comprometeu a evitar repetir os erros cometidos nas eleições de 2024, onde menos da metade dos candidatos apoiados por ele foram eleitos. Na última eleição, ele enfrentou críticas por apoiar a candidatura do ex-coach Pablo Marçal (PRTB) à prefeitura de São Paulo, na qual o PL ocupava a vice de Ricardo Nunes (MDB).
Atualmente, sua proximidade com o vice-governador Simões é estratégica, especialmente em um cenário em que Flávio Bolsonaro considera a possibilidade de afastar Simões. Documentos que vieram à tona recentemente indicam que o PL estuda descartar o vice-governador, visto como um peso para o projeto presidencial do grupo. Nesse contexto, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, aparece como uma alternativa viável para dialogar com Nikolas.
Além da agenda em Juiz de Fora, Nikolas e Simões estiveram em Ponta Nova (MG), onde anunciaram um repasse de R$ 40 milhões para a construção do Anel Rodoviário, que deverá interligar as rodovias MG-329 e MG-120. Na semana seguinte, os dois se encontraram em Belo Horizonte, onde participaram de uma reunião no Tribunal de Justiça, solicitando o afastamento do desembargador Magid Nauef Láuar, que havia absolvido um homem acusado de estupro de uma menina de 12 anos em Indianápolis (MG). O magistrado foi afastado por determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
