Redefinindo a Educação Ambiental em Minas Gerais
Na sexta-feira (12/6), educadores de Minas Gerais participaram do webinário “Educação Ambiental e para o Consumo”, que integra a iniciativa Minas em Formação – Aprendizagens em Rede. Promovido pela Escola de Formação da Secretaria de Estado de Educação (SEE/MG), o evento marcou a Semana do Meio Ambiente com debates que ressaltaram a urgência de inserir a sustentabilidade nas práticas escolares de modo interdisciplinar e com sensibilidade afetiva.
Discussão sobre a relação entre ser humano e natureza
A mesa de debate reuniu a professora e mestre em Direito Ambiental, Josiane Ferreira, e a advogada Flávia, presidente do Instituto Mundo. Flávia provocou a reflexão ao questionar o conceito tradicional de “meio ambiente”, frequentemente visto como algo separado do ser humano. Segundo ela, é fundamental entender nosso papel dentro do planeta Terra, pois não há direitos humanos sem a proteção da natureza.
A discussão enfatizou a necessidade de descolonizar o conhecimento, rompendo com a ideia de que a natureza é apenas uma paisagem ou um recurso a ser consumido. A crise climática atual, chamada de Antropoceno, foi apontada como resultado de um sistema que prioriza o crescimento econômico em detrimento da vida.
Leia também: Parceria entre Minas Gerais e Ministério do Meio Ambiente impulsiona educação ambiental municipal
Leia também: Governador de Minas Gerais Empossa Novo Secretário de Meio Ambiente com Foco na Sustentabilidade
Exemplos práticos foram apresentados, como o uso da Matemática para calcular o consumo de água e energia, a Arte para incentivar a reutilização de materiais, e a Geografia para compreender os impactos locais das mudanças climáticas.
Afeto como ferramenta pedagógica no ensino ambiental
Um dos momentos mais marcantes do seminário foi o apelo para que o ensino ambiental vá além da abordagem de catástrofes, evitando que os jovens se sintam alienados ou desesperançosos. Em vez disso, as palestrantes sugeriram incentivar práticas que promovam o cuidado e o senso de pertencimento, como a criação de hortas escolares.
Flávia destacou que a horta escolar ensina paciência e respeito ao ritmo natural das plantas, defendendo o “afeto como método de ensino”. O evento finalizou com um convite à “florestania”, uma cidadania que reconhece a interdependência entre todas as formas de vida.
Leia também: Novo Secretário de Meio Ambiente assume em Minas Gerais com foco em sustentabilidade
Leia também: Exploração de Terras Raras em Minas Gerais: Debate sobre Licenciamento e Soberania Nacional
Fonte: triangulodeminas.com.br
A professora Maira, anfitriã do encontro, reforçou o compromisso da Escola de Formação em manter esses diálogos, fundamentais para a formação de cidadãos conscientes em Minas Gerais.
Consumo consciente e alerta ao greenwashing
Josiane Ferreira ressaltou que a educação ambiental deve ser permanente, ultrapassando as datas comemorativas. Ao compartilhar pesquisas sobre energias renováveis, ela chamou atenção para o greenwashing — prática de empresas que simulam ações sustentáveis para atrair consumidores.
“Todo aluno deveria conhecer esse termo para identificar os tipos de empresas que está consumindo”, afirmou a professora, destacando a importância de formar estudantes críticos e informados sobre os impactos ambientais das escolhas de consumo.
