Vendaval surpreende Rio e São Paulo com ventos de mais de 100 km/h
A intensa ventania que atingiu as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo na quarta-feira (29), com rajadas superiores a 100 quilômetros por hora, chamou atenção por sua força e raridade. Especialistas consideram o episódio atípico e levantam a possibilidade de que o fenômeno esteja relacionado ao El Niño, que deve se intensificar no segundo semestre, trazendo chuvas extremas para algumas regiões e ondas de calor acompanhadas por estiagem em outras partes do país.
Especialistas ponderam sobre a relação entre vendaval e El Niño
Embora o El Niño influencie a circulação atmosférica na América do Sul, pesquisadores ouvidos pelo Valor Econômico são cautelosos ao estabelecer uma ligação direta entre o vendaval e o fenômeno climático. A complexidade dos processos meteorológicos envolvidos no surgimento dos ventos fortes no Sudeste torna difícil atribuir o evento a uma única causa. O prefeito do Rio, Eduardo Cavalieri, comentou que o vendaval superou as previsões dos institutos meteorológicos e sugeriu uma relação com o Super El Niño, considerando a intensidade inesperada do evento.
No entanto, especialistas reforçam que, com o conhecimento atual, não há confirmação científica para essa conexão direta. O El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, tem seus efeitos globais agravados pela crise climática e pela queima de combustíveis fósseis, intensificando secas, chuvas fortes e ondas de calor.
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Fonte: acreverdade.com.br
Adaptação das cidades brasileiras ao clima extremo é lenta, afirmam especialistas
Francisco Aquino, climatologista e chefe do departamento de geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), destaca que a infraestrutura e o planejamento urbano no Brasil não acompanham a velocidade das mudanças climáticas. Entre as medidas urgentes para mitigar os impactos estão a ampliação da arborização, a criação de cinturões verdes e a melhoria das áreas de drenagem para escoamento das águas pluviais.
O cientista explica que o vendaval foi resultado do avanço de uma frente fria sobre uma atmosfera aquecida, condição que favorece tempestades e ventos intensos, mas não permite atribuir o episódio exclusivamente ao El Niño, que ainda está em fase de desenvolvimento, com intensidade máxima prevista entre outubro e fevereiro.
Fenômenos climáticos e sua influência na ocorrência de vendavais
Gustavo Verardo, meteorologista da Climatempo, relaciona os vendavais em Rio e São Paulo ao avanço de uma frente fria oceânica sobre uma região com temperaturas anormalmente elevadas para a época. O contraste térmico gerou um gradiente de vento intenso, resultando nos fortes ventos observados. Segundo ele, o El Niño deste ano está mais forte do que o habitual para o período, com expectativa de se intensificar a partir de setembro, o que pode aumentar a frequência de chuvas intensas, enchentes e tempestades severas, principalmente na região Sul.
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Fonte: tcheagora.com.br
Marcelo Seluchi, coordenador-geral de operações e modelagem do Cemaden, ressalta que a associação entre o vendaval e o El Niño é indireta e difícil de comprovar. Ele explica que a intensidade dos ventos foi causada por uma frente de rajada, fenômeno localizado e pouco comum, originado por linhas de instabilidade formadas quando uma massa de ar frio avança sobre uma atmosfera quente e úmida. Em um cenário de aquecimento global, esses fenômenos ganham mais energia, podendo se tornar mais intensos e frequentes.
Desafios para comprovar a influência do El Niño nos vendavais extremos
Para demonstrar cientificamente que o El Niño aumenta a ocorrência de vendavais, seria necessário comparar a frequência desses eventos em anos com El Niño forte e em anos normais. Contudo, a escassez de registros de vendavais de grande magnitude e de episódios intensos do El Niño nos últimos 60 anos dificulta a realização de análises estatísticas robustas. O que permanece claro para os especialistas é que as mudanças climáticas globais elevam o risco e a intensidade dos eventos extremos, colocando as cidades brasileiras em situação de vulnerabilidade crescente.
