Belo Horizonte: A Capital dos Botecos e da Hospitalidade Mineira
Sexta maior capital do Brasil, Belo Horizonte abriga 2,4 milhões de habitantes que carregam a hospitalidade típica e um tempero culinário que mistura tradição rural com a modernidade urbana. Conhecida nacionalmente como a capital dos botecos, a cidade tem respaldo oficial da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), que confirmou ser a capital brasileira com o maior número de bares.
Para quem aprecia os tradicionais tira-gostos boêmios, BH é um destino imbatível. Prepare-se para uma experiência gastronômica intensa, capaz de conquistar pelo paladar e, talvez, acrescentar alguns quilos na bagagem. Afinal, como dizem os mineiros, “já que Minas não tem mar, bora para o bar!”
Primeiro Dia: Patrimônio Modernista e Sabores do Mercado Central
Comece seu passeio pela manhã na Lagoa da Pampulha, local perfeito para aproveitar o sol e a brisa suave. De lá, admire as vistas dos estádios Mineirão e Mineirinho e conheça o Conjunto Moderno, idealizado por Oscar Niemeyer na década de 1940 a pedido de Juscelino Kubitschek.
A joia desse conjunto é a Igrejinha da Pampulha, oficialmente chamada Igreja de São Francisco de Assis, cartão-postal da cidade e patrimônio mundial da Unesco. Com seu design curvilíneo em azul e branco, a igreja também exibe os painéis de Candido Portinari que contam a história do santo. O entorno da lagoa permite caminhadas, passeios de bicicleta ou patinete, com aluguel fácil no local, em meio aos 18 quilômetros de extensão do espelho d’água.
Depois, siga para o Mercado Central, no Centro da cidade. Com mais de 90 anos, o mercado é o coração cultural e gastronômico de BH, com cerca de 400 estabelecimentos que formam um verdadeiro labirinto de sabores e aromas. Não deixe de provar o pão de queijo com pernil e queijo canastra no Comercial Sabiá.
O prato que não pode faltar é o fígado com jiló, servido na chapa e acompanhado de cebola, oferecido no Bar da Tia, criador da receita, ou no Bar da Lora. Para o almoço, experimente também o feijão-tropeiro com torresmo na Lora e finalize com uma broa de fubá acompanhada de café adoçado com rapadura na Roça Capital. Vale levar um pedaço do tradicional queijo minas vendido em dezenas de lojas ao redor.
À noite, o Mercado Novo, revitalizado desde 2018, é o ponto de encontro da juventude belo-horizontina. Apesar do nome, o mercado existe desde 1963 e oferece três andares de bares, cervejarias e restaurantes que privilegiam produtos autênticos e autorais. No segundo andar, experimente drinques exclusivos como o xeque-mate no Mascate, bebidas fermentadas no Lambe-Lambe, o macunaíma na Cachaçaria Lamparina ou a cachaça de jambu no Carimbó, que une a cultura do Norte do país à de BH.
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Para petiscar, escolha o bolinho de frango com quiabo do Bentô Bolinhos. Se quiser levar uma lembrança, a loja Made in Beagá oferece opções locais. O Mercado Novo funciona até meia-noite, e no subsolo, bares com música ao vivo convivem com feirantes preparando frutas e hortaliças até altas horas.
Segundo Dia: Imersão Cultural na Praça da Liberdade e Gastronomia de Boteco
Reserve o segundo dia para explorar o polo cultural da Praça da Liberdade, no centro-sul da capital. O complexo de museus abriga o CCBB BH, antiga sede da Secretaria do Interior de Minas Gerais, que hoje recebe exposições, cinema e música, em ambiente decorado com vitrais e escadarias imponentes. O café interno é um convite para uma pausa.
Visite também a Casa Fiat de Cultura, que traz exposições itinerantes e mantém intercâmbio com centros artísticos da França e Itália. O Museu das Minas e do Metal revela a história do estado por meio de minerais, enquanto o Espaço do Conhecimento da UFMG oferece planetário, terraço astronômico e exposições interativas.
Ao voltar para a praça, caminhe sob as palmeiras-imperiais da alameda central, observe as fontes, o coreto e o Edifício Niemeyer, projetado por Oscar Niemeyer em 1954 e inaugurado em 1960, um dos cartões-postais da cidade.
Para o almoço, o Dona Lucinha apresenta pratos típicos mineiros preparados no fogão a lenha, como frango com quiabo e costelinha com molho de rapadura ou ora-pro-nóbis, acompanhados de café coado na hora.
À tarde, o Nimbos Bar, eleito melhor hambúrguer do Brasil em 2025, reúne público descontraído. Experimente o BBQ Bliss, com pão brioche, hambúrguer de 180 g, requeijão de corte, cebola grelhada, picles de maxixe, bacon e molhos especiais.
Para fechar o dia, o Redentor Bar traz a boemia mineira com influência dos botequins cariocas. O destaque vai para o jabá porta-bandeira, que combina carne-seca desfiada, cebola salteada e farinha amarela, perfeito para acompanhar um chope bem tirado.
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Terceiro Dia: Feira Hippie, Parque e Boemia no Santa Tereza
Se estiver em BH num domingo, a Feira Hippie na avenida Afonso Pena é parada obrigatória. Das 7h às 14h, cerca de 1.500 expositores oferecem artesanato, roupas, comidas típicas e muito mais. A barraca do Acarajé da Lu é destaque, enquanto rodas de samba e grupos de dança charme animam o ambiente.
Na sequência, visite o Parque Municipal Américo Renné Giannetti, inaugurado em 1897, patrimônio ambiental mais antigo da capital. O parque preserva remanescentes de mata atlântica e cerrado, além de abrigar mais de 60 espécies animais.
Integrado ao parque, o Palácio das Artes é o maior complexo cultural de Minas Gerais, com programação diversificada durante o ano, incluindo o Grande Teatro.
Para o almoço, o Edifício Maletta, na avenida Augusto de Lima, oferece brechós, sebos e lojas de discos e antiguidades que criam um clima nostálgico. A Cantina do Lucas, patrimônio cultural da cidade, serve filé à parmegiana; o bar Xok Xok apresenta petiscos tradicionais como pé de porco, torresmo e linguiça; e o restaurante Feijão aposta na comida caseira mineira.
À tarde, aproveite o transporte público gratuito e siga para Santa Tereza, berço da boemia local. Caminhe pela Praça Duque de Caxias e pela esquina consagrada pelo Clube da Esquina. O Bar do Orlando, o boteco mais antigo em funcionamento desde 1919, é o cenário para o pôr do sol ao som de samba e choro, acompanhado de cerveja gelada e petiscos como o trio mineiro (torresmo, linguiça e batata assada). Finalize com uma dose de cachaça para brindar a Belo Horizonte.
Se Houver Mais Tempo: Visita ao Instituto Inhotim
Nos arredores da capital, o Instituto Inhotim, em Brumadinho, a 60 km de BH, é referência mundial em arte contemporânea ao ar livre e jardim botânico. Com mais de 140 hectares, apresenta cerca de 2.000 obras de 280 artistas, entre eles Adriana Varejão, Cildo Meireles, Claudia Andujar e Yayoi Kusama.
O espaço une a mata atlântica e o cerrado, com pavilhões e galerias que são parada obrigatória para quem deseja ampliar o itinerário cultural pela região.
