Troca de Conhecimentos na Comunidade Quilombola de Pontinha
No dia 25 de junho, a Coopertrac promoveu uma visita técnica à Comunidade Quilombola de Pontinha, localizada em Paraopeba, região Central de Minas Gerais. A ação ocorreu na agroindústria local, Pontinha de Sabor, reunindo membros da cooperativa e profissionais de áreas diversas com o objetivo de conhecer a experiência comunitária, fortalecer o compartilhamento de saberes e discutir os processos de produção, beneficiamento e organização coletiva.
Agroindústria como Fonte de Renda e Trabalho Coletivo
Desenvolvida pela organização quilombola, a Pontinha de Sabor é referência na produção de derivados do pequi, fruto típico do Cerrado. A iniciativa fortalece o trabalho em grupo, gera renda para as famílias da comunidade e amplia as condições para que permaneçam no território. A maior parte da produção é conduzida por mulheres quilombolas, responsáveis por coordenar todas as etapas do beneficiamento do pequi.
Para Caroline Alves, técnica da Coopertrac, a visita foi fundamental para apoiar a estruturação dos entrepostos que estão sendo implantados junto às famílias assentadas na região de atuação da cooperativa. “Conhecer a Pontinha de Sabor nos permitiu entender a funcionalidade da estrutura, os processos de beneficiamento, a gestão coletiva e a forma como a comunidade organiza esse trabalho. É uma experiência que queremos replicar nos locais onde atuamos”, explicou.
Origem e Desenvolvimento da Pontinha de Sabor
Segundo a presidente da agroindústria, Normélia Gonçalves, o projeto nasceu da necessidade de diversificar a renda na comunidade. “Antes, a principal fonte de renda era o minhocuçu. Ao percebermos que a safra do pequi coincidia com o período de reprodução do minhocuçu, começamos a investir na produção do fruto”, destacou.
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Essa sincronização permitiu que a comunidade desenvolvesse uma nova forma de produção sem perder a conexão com seus saberes tradicionais. O beneficiamento do pequi passou a organizar o trabalho local e originou a agroindústria, que hoje produz óleo de pequi, doces, castanhas, cremes e outros derivados do fruto.
Participação Feminina e Tecnologias Sustentáveis
A presença feminina é marcante na agroindústria. Embora algumas mulheres tenham saído por motivos pessoais, o grupo ainda é expressivo e fundamental para a organização da produção. “A agroindústria foi criada para gerar emprego e renda para a comunidade, especialmente para as mulheres”, afirmou Normélia.
Durante a visita, a equipe conheceu as etapas do beneficiamento, a estrutura da unidade e as tecnologias adotadas, como o uso de energia solar e sistemas de captação de água. Essas iniciativas reforçam o compromisso com o cuidado ambiental e a sustentabilidade na produção local.
Fortalecimento da Cooperação Entre Comunidades
Caroline Alves ressaltou que a experiência de Pontinha de Sabor contribui para a construção coletiva entre comunidades tradicionais e territórios da Reforma Agrária Popular. “Essa troca traz aprendizados importantes sobre gestão coletiva, beneficiamento e organização da produção, que podem ser aplicados em outras áreas onde atuamos”, afirmou.
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A visita contou com a participação de integrantes da comunidade, como Renata Paulina, Rosane Geralda e Renato Moreira, que apresentaram o funcionamento da agroindústria e mantiveram um diálogo constante com a equipe técnica.
Uma Década de Organização Coletiva e Autonomia
Fundada em 2012, a Pontinha de Sabor acumula mais de dez anos de trabalho coletivo. A experiência fortalece a comunidade quilombola, amplia a circulação de produtos e reafirma a importância da agroindustrialização para agregar valor aos frutos do Cerrado.
Caroline destaca que conhecer o trabalho e a organização da comunidade é enriquecedor para o acompanhamento técnico. “As trocas entre comunidades tradicionais, assentamentos e povos originários fortalecem os conhecimentos locais e ajudam a preservar esses saberes”, concluiu.
Por fim, Normélia deixou uma mensagem sobre o caminho construído pela comunidade: “Seja positiva, que dá certo.” A visita reforça o compromisso da Coopertrac com a troca de conhecimentos e o fortalecimento das experiências das comunidades quilombolas e das famílias da Reforma Agrária Popular. Com organização coletiva, essas iniciativas seguem produzindo alimentos, gerando trabalho e construindo autonomia nos territórios de Minas Gerais.
