Uvas Piwi: Resistência Natural que Transforma a Viticultura
Na produção de vinhos finos, o combate a doenças fúngicas como o míldio e o oídio exige até 30 aplicações de fungicidas por safra, especialmente nas regiões sul e sudeste de Minas Gerais. Essa rotina pesada eleva os custos e impacta a sustentabilidade do cultivo. No entanto, agricultores locais estão experimentando uma alternativa que promete mudar esse cenário: as uvas piwis, híbridos europeus resistentes a essas doenças.
O termo “piwi” vem do alemão pilzwiderstandsfähige, que significa resistência a fungos. Essas uvas se destacam por demandar pouca ou nenhuma aplicação de defensivos, reduzindo gastos e tornando a produção mais sustentável. Diferente das uvas tradicionais que são colhidas no inverno, as piwis são colhidas no verão, trazendo uma dinâmica nova para a viticultura mineira.
Pesquisa e Resultados Promissores em Minas Gerais
A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), através da pesquisadora Claudia Souza, iniciou em novembro de 2021 um estudo com mudas de piwis importadas da Itália, em parceria com a Vinícola Stella Valentino, localizada em Andradas. Foram plantadas 50 mudas de oito variedades, entre tintas e brancas, para avaliar sua adaptação e produtividade no clima mineiro.
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Os resultados foram surpreendentes. As piwis apresentaram safras mais produtivas que as uvas tradicionais e mantiveram um bom índice de qualidade. Além disso, em 2024 e 2025, não houve aplicação de fungicidas para o míldio e apenas três para o oídio, uma redução drástica em comparação às 30 aplicações habituais. A pesquisa finalizou no ano passado, confirmando o potencial dessas uvas para a região.
Investimento e Perspectivas para o Mercado Local
Encantado com os resultados, o proprietário da vinícola, José Procópio Stella, decidiu ampliar o cultivo. Ele plantou 500 mudas das variedades Merlot Khantus e Fleurtai para produzir vinhos com menor custo e maior sustentabilidade, sem a aplicação de defensivos nas novas plantas. Embora a qualidade dos vinhos produzidos pela técnica tradicional da dupla poda ainda seja superior, seu custo elevado limita o preço final a cerca de R$ 300.
O objetivo de Stella é oferecer vinhos feitos com uvas piwis por preços entre R$ 100 e R$ 140, tornando-os acessíveis sem abrir mão da qualidade. Essa mudança pode impactar positivamente a viticultura regional, reduzindo custos, o uso de químicos e a necessidade de mão de obra intensiva, além de incentivar práticas agrícolas mais sustentáveis.
Essa inovação demonstra como a adaptação genética e a pesquisa agrícola podem transformar setores tradicionais, oferecendo soluções que equilibram produtividade, qualidade e sustentabilidade. Para Minas Gerais, que tem forte tradição no cultivo de uvas e na produção de vinhos, as uvas piwis representam um caminho promissor para o futuro da viticultura.
